Por uma universidade pública [TENDÊNCIAS/DEBATES]

TENDÊNCIAS/DEBATES

Por uma universidade pública

FRANCISCO DE OLIVEIRA, PAULO ARANTES, LUIZ MARTINS e J. SOUTO MAIOR


A dificuldade econômica da universidade pública na atualidade é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público

O reitor da Universidade de São Paulo publicou neste espaço ("Mecenato e universidade", 10/6) artigo com alguns argumentos que precisam ser democraticamente contrapostos. Para ele, os problemas da USP partem de uma razão econômica.
A saída que expõe é uma contradição em termos: o ingresso de dinheiro privado para a melhoria da universidade pública. Para proteger a universidade pública, que é melhor que a privada, diz que a universidade pública deve abrir suas portas para o dinheiro privado.
No fundo, o que a sua solução esconde é a tentativa de privatizar o ensino público. Ora, não se tendo conseguido fazer com que as entidades privadas prevalecessem no cenário educacional, busca-se fazer com que o ensino público forneça o material humano necessário para os fins da iniciativa privada.
A dificuldade econômica pela qual passa a universidade pública é fruto de uma negligência proposital do Estado com o ensino público, que se pretende compensar com o investimento privado.
Este último cria, na verdade, uma perigosa promiscuidade que desvirtua a razão de ser do ensino público, que deve se voltar para os problemas sociopolítico-econômicos gerais do país.
Mas mais grave ainda é a forma pela qual se vislumbra tal "parceria". Na Faculdade de Direito, ela se fez para duvidosas reformas arquitetônicas que nada acrescentaram à melhoria do ensino. Além disso, para se chegar a tanto, foram desrespeitados diversos preceitos da ordem jurídica. O que o reitor chama de "modernização" constituiu grave ilegalidade.
Cumpre resgatar o respeito à ordem jurídica, ainda mais à luz do grotesco episódio de transposição dos livros das bibliotecas departamentais, da noite para o dia, para um prédio desprovido de condições, e cuja devolução ao local de origem, por determinação do Ministério Público, vem se arrastando há mais de três semanas...
Tais ilegalidades justificariam um processo de improbidade administrativa contra o reitor, que, além do mais, em entrevista recente à Rede Bandeirantes, referiu-se à USP, faltando com o decoro acadêmico mínimo, como "terra de ninguém", "tomada por invasores" e "assemelhada a morros do Rio de Janeiro", em vias de "virar um Haiti".
O grande passo que precisa ser dado pela USP é a sua reestruturação, buscando a democratização interna e externa, mediante o voto universal, condição para uma estatuinte e um processo rumo à superação do vestibular, visando o acesso universalizado à universidade pública, tal como é no México e na Argentina há quase um século.
O reconhecimento republicano da igualdade de voto e de cidadania de professores, estudantes e trabalhadores supõe o respeito pleno às manifestações dos servidores que legitimamente lutam por direitos.
A reitoria afirma que os trabalhadores em greve estão cometendo uma ilegalidade e comete o abuso de cortar o ponto de mil servidores, mirando com suas punições principalmente alguns de menor salário.
Mas a greve é um direito fundamental consagrado e, sobretudo, se justifica quando os trabalhadores são atingidos, na sua concepção, por ilegalidades cometidas pelo empregador. Negar a greve como um direito e fixar represálias ou coações constitui, por si, um grave atentado à democracia.
Todos os que prezam o regime democrático devem se alinhar com os trabalhadores da USP, que fazem história com suas lutas, contribuindo vivamente para a democratização da universidade, tal como os operários do ABC que, nos idos de 1978-80, desafiaram publicamente a repressão e levaram à reconstrução da ordem jurídica do país.


FRANCISCO DE OLIVEIRA é professor emérito da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP (FFLCH-USP).
PAULO ARANTES é professor da FFLCH-USP. LUIZ RENATO MARTINS é professor da Escola de Comunicações e Artes da USP.
JORGE LUIZ SOUTO MAIOR é professor associado da Faculdade de Direito da USP.

Irã aceita acordo para troca de combustível nuclear (AAJ)

 

17.05.2010. – MECA – Agência Al Jazeera.

 

 

Anúncio acontece após um dia de discussões entre os presidentes iraniano e brasileiro [AFP]

Irã, Turquia e Brasil chegaram a um acordo em torno dos procedimentos para troca de combustível nuclear, destinado a aliviar as tensões em torno do programa nuclear de Teerã, afirmou Ahmet Davutoglu, Ministro de Relações Exteriores da Turquia.

Davutoglu anunciou o acordo em uma entrevista coletiva na noite deste domingo, após Recep Tayyip Erdogan, Primeiro-Ministro turco, decidir adiar uma viagem ao Azerbaijão para participar das conversas sobre o assunto em Teerã.

Ele afirmou que o acordo foi alcançado "após mais de 18 horas de negociações"; um anúncio formal é esperado para a manhã desta segunda-feira.

Erdogan voou para Teerã após o presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva realizar um dia de discussões com Mahmoud Ahmadinejad, seu colega iraniano, o que foi considerado pelos Estados Unidos e pela Rússia como a última chance de evitar novas sanções ao país.

A televisão turca reportou que os três líderes discutiram um acordo que poderia ser a troca, em território turco, do urânio de baixo enriquecimento iraniano por um combustível nuclear produzido no exterior.

Mas detalhes, como a quantidade de urânio a ser entregue e como essa troca acontecerá, ainda não foram tornados públicos.

 

Anúncio esperado


O repórter da rede Al Jazeera em Teerã, Alireza Ronaghi, afirmou que uma reunião da cúpula do G15 está agendada para começar na manhã desta segunda-feira em Teerã e que o anúncio da troca de combustíveis pode ser realizado na abertura da reunião.

"A cúpula do G15 será iniciada com uma fala do presidente Ahmadinejad e eu espero que essa fala inclua alguns elementos do acordo", afirmou.

"É esperado que seja desafiador e agressivo como sempre, mas ao mesmo tempo deverá mostrar que o Irã está disposto a negociar e está realizando concessões justamente para demonstrar essa boa vontade iraniana".

Especulações cresceram que algo seria anunciado após a mudança de planos na viagem de Erdogan. O primeiro-ministro turco inicialmente havia cancelado seus planos de visitar o Irã.

A visita de Lula, que incluiu uma reunião com o Ayatollah Ali Khamenei, líder supremo do Irã, foi vista como uma última tentativa de mediação em torno de um acordo. Antes de viajar para Teerã Lula havia afirmado que estava "otimista" com a visita e que esperava conseguir persuadir Ahmadinejad a chegar a um acordo com o Ocidente sobre a questão da atividade nuclear iraniana.

"Agora eu preciso usar tudo o que aprendi em minha longa carreira política para convencer meu amigo Ahmadinejad a chegar a um acordo com a Comunidade Internacional", disse.

Os Estados Unidos e a Rússia haviam advertido que as possibilidades de sucesso eram remotas. Mas, após as negociações, Teerã sinalizou disposição em ouvir propostas.

"Recebemos muitas propostas e estamos analisando-as", teria afirmado Ali Akbar Salehi, chefe do programa atômico iraniano, à imprensa local. "Há disposição em ambos os lados para resolver o problema e as coisas estão se movendo positivamente", completou.

 

Relutância iraniana

O Irã havia sido relutante anteriormente a autorizar que seu estoque de urânio deixasse o país antes de receber combustível nuclear, afirmando que a troca deveria acontecer simultaneamente em território iraniano.

Na semana passada, no entanto, Mohsen Shaterzadeh, embaixador iraniano no Brasil, disse que a troca em outro território poderia ser aceita.

Brasil e Turquia, ambos membros não permanentes do Conselho de Segurança da ONU, até o momento não apoiaram os esforços estadunidenses na direção de realizar novas sanções contra o Irã por sua indisposição em acatar os repetidos ultimatos para finalizar seu programa de enriquecimento de urânio.

"Penso que o Irã tem interesse em manter a Turquia a seu lado, em manter o Brasil a seu lado e tem interesse em gerar novos parceiros, não inimigos", afirmou à Al Jazeera Mahjoob Zweiri, especialista no assunto na Universidade do Qatar.

Os Estados Unidos e seus aliados dizem que o Irã quer urânio altamente enriquecido para manufaturar uma bomba atômica, mas Teerã afirma que seu programa nuclear é voltado apenas às necessidades de energia da população civil.

Lula, anteriormente, havia defendido as atividades nucleares do Irã, afirmando que Teerã tinha o direito de trabalhar com a energia atômica e repetidamente foi contrário às sanções, que, para ele, poderiam ser contraproducentes e inefetivas.

 

traduzido por Fernando Penteado (@fr_)

original: http://english.aljazeera.net/news/middleeast/2010/05/2010516204621125495.html

 

 

PSDB lança grande piada no dia 1º de Abril #GenteQueMente

---------- Mensagem encaminhada ----------
De: Gente que Mente <contatogentequemente@gmail.com>
Data: 1 de abril de 2010 17:14
Assunto: Venha ajudar a acabar com tanta mentira.


 Video
O dia é
Madeira

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Hospital Veterinário da USP busca doações de sangue canino.

Recebi por e-mail o seguinte pedido, do pessoal do HOVET-USP:

O banco de sangue do HOVET-USP, localizado em São Paulo, está passando por dificuldades pela grande procura de bolsas de sangue no final do ano e começo deste. Mesmo com as coletas em canis as bolsas não estão suprindo a demanda e alguns pacientes estão ficando quase sem sangue, correndo risco de morte. Uma única bolsa de sangue pode salvar vários animais!

Quem tiver cães acima de 25 kg, até 8 anos e saudáveis, por favor leve para doação. Os doadores ganham exames de sangue completos e sorologia para Erlichia, Borrelia, Leishmania.

Divulguem a conhecidos!

Para agendar uma doação, ligue no banco de sangue:
(11) 3091-1221
(11) 3091-1300

Sobre o auxílio-reclusão

Reproduzo abaixo o trecho de um e-mail escrito há algumas semanas, sobre esse assunto, em resposta a uma corrente daquelas que circulam pela internet realimentando preconceitos e o senso-comum de direita.

Uma ilustração, com base em uma família que conheço em São Caetano e passa por essa situação:

Um homem, cozinheiro industrial por profissão com registro em carteira, casado, com dois filhos, comete algum tipo de delito e é preso.

O salário desse homem é de R$ 700,00. Com sua prisão, mesmo com a esposa trabalhando (como faxineira terceirizada em um supermercado, recebendo menos que um salário mínimo como pagamento, sem nenhum tipo de benefício ou estabilidade), as finanças da casa ficam seriamente comprometidas, pensando em todas as contas a serem pagas (Aluguel, luz, água, gás, compras no supermercado, medicamentos, transporte escolar para os filhos etc.). A família (a esposa, no caso) entra no INSS com o pedido desse auxílio, para conseguir pagar suas contas e manter sua família e, como o homem era contribuinte, a família recebe o auxílio assim como receberia outros auxílios por afastamento do trabalho ou pensão após a morte.

Não entendo a lógica da formulação quando se afirma que isso estimula a criminalidade, visto que oauxílio contempla apenas pessoas com registro em carteira, além de, a partir do momento em que auxilia nas contas domésticas, permite que os filhos vão à escola e não precisem fazer algum tipo de bico ou procurar outros meios de conseguir dinheiro. O auxílio é para os DEPENDENTES, tem caráter alimentício, em termos de direito social, e o preso não irá usufruir do mesmo, visto que está em regime fechado e a partir do momento em que ele sair da prisão o auxílio será suspenso.

A saber, esse auxílio existe há muitos anos, não foi implementado agora, sendo parte da Lei da Previdência Social, de 1960, regulamentado por lei de 1991, de Collor, que foi reformada em 1998 pelo FHC (informações da página da previdência social na internet). Não venham dizer que é um auxílio"esquerdista".

[...]

Infelizmente há muita gente (...) acostumada a dar suas opiniões sem ter o mínimo de base em fatos, em teorias ou na realidade.

Essa família vive aqui em São Caetano do Sul, região metropolitana de São Paulo. Quem quiser conhecer a família sobre a qual me refiro, conhecer as condições de trabalho da mulher, conhecer onde eles moram e conhecer as duas crianças, venham a São Caetano, eles moram pertinho aqui da minha casa.

Fernando Penteado.
__________________________________________________________
Na internet é possível encontrar diversos artigos e publicações de juristas sobre esse assunto. Vale a pena googlar e se informar.
Um destes textos bem completos está disponível no link: http://jusvi.com/artigos/41334

Jupiterweb


Tipo: Comunicado do GRS
Assunto: Lista presença vertical com 5 fotos
Publicação: 25/11/2009 13:30

Prezado(a) Professor(a)

Está disponível a opção de lista presença  vertical com 5 fotos e espaço para assinaturas em dezessete dias, no menu Listas, opção com foto original ; quando vier a lista na tela, selecione Preparar para impressão: lista vertical em pdf.

Além desta funcionalidade, implementamos uma visão rápida do Rendimento Acadêmico do Aluno, para facilitar na escolha entre candidatos a vagas remanescentes, bolsas, etc..

Encontra-se no menu Gestão do Aluno, o último ´link´, e mostra três tabelas e gráficos, para cada semestre:

1. número de disciplinas aprovadas, reprovadas e trancadas

2. número de créditos aprovados, reprovados e dispensados

3. médias ponderadas ´suja´  e ´limpa´ (sem reprovações) .

Atenciosamente

Apoio à Graduação

Mas... Não sou professor! Será que tem algum comunicado sobre as matrículas na página de professores? #USP #SistemaFail

Sobre a apuração das eleições para o CAELL e a violência ocorrida na noite do dia 19.

Segue abaixo um relato pessoal dos acontecimentos da noite do dia 19 de novembro, data de encerramento das urnas e apuração das eleições para o CAELL, o Centro Acadêmico dos Estudantes de Letras da USP. As opiniões que apresento aqui não são exatamente as opiniões da gestão atual (Olhos Livres) ou da gestão eleita (Veredas).


Havia a avaliação, por parte das seis chapas que concorriam ao pleito, de que a chapa Veredas, composta pela atual gestão do CAELL + novos membros, venceria as eleições com alguma margem de votos. Isto ficou confirmado na apuração, onde o resultado foi:


Veredas: 367 votos.

"Uma flor nasceu na rua" (PSTU): 168 votos

"Pra que poetas?" (MNN): 125 votos

"Estado de Exceção" (LERqi): 74 votos

"Quem quer ganhar um fusca marque um “X” ao lado": 71 votos

"Reconstruir o CAELL pela base: AJR e independentes" (PCO): 8 votos

Brancos e Nulos: 11

Total de votos: 824 (mais de 100 a mais que na eleição anterior)


Infelizmente nossa comemoração foi impossibilitada por uma ação bárbara articulada entre o PSTU e a LER-qi: Uma tentativa de linchamento de estudantes apoiadores da Veredas, membros da Veredas e também da chapa do Fusca, em nosso prédio, devido a dois acontecimentos, os quais descrevo a seguir: o primeiro deles aconteceu cerca de 40 minutos antes do término da apuração, quando foi puxado, por um estudante, um coro chamando uma integrante da chapa Uma Flor Nasceu na Rua!, militante do PSTU, de "gostosa". No momento dos gritos não houve reprovação por parte dos militantes do PSTU (membros da chapa deles para a Letras também gritaram, inclusive), nem da LER-qi. Obviamente discordamos de comentários deste tipo (sim, a militante do PSTU pareceu constrangida com aquilo) e acredito que ela tem todo o direito e dever de expressar seu desacordo. Mas discordo do uso de violência, da parte que viesse. Acrescenta-se a este fato um outro comentário machista, que ao que parece foi o estopim da ação truculenta daquelas militantes: Um estudante que não tinha relação com nenhuma chapa para o CAELL estava discutindo com militantes do PSTU e da LER-qi quando ouviu a frase “já tarde você já deveria estar na cama” e respondeu com uma irônica frase: “Vamos lá?". 

Ainda durante a apuração, quando já estava clara a vitória da Veredas (tínhamos vantagem de 150 votos, crescendo), um grupo de militantes do PSTU sai da sala. Após alguns instantes, o militante que é liderança do PSTU na Letras volta e começa a apontar para pessoas, como que listando: A. (da chapa do fusca), aquele comprido (Y, que foi quem iniciou os gritos de "gostosa"), o D., da boina, o magrinho do CDIE e o L. (o que posteriormente falou o “vamos lá” a uma militante em fúria). Atenção à presença do último na lista, visto que este não havia participado das "manifestações machistas" dentro da sala.


Ao término da apuração a sala se dividiu claramente em duas partes, com provocações vindas de todos os lados. De um, o PSTU gritando palavras de ordem [daquelas vazias] contra a chapa eleita [nós]. Infelizmente os militantes da LER-qi (que haviam apresentado interesse em compor a chapa Veredas conosco antes do início do processo eleitoral e estavam bem próximos de nós) aderiram àqueles gritos, e afirmo que infelizmente porque não sei até que ponto eles pretendem/pretendiam "ser a oposição que vai governar no lugar de quem foi eleito" ou "comandar a gestão" ou "liderar o curso" [meu entendimento sobre as palavras de ordem do PSTU, claramente afirmando um total desrespeito ao resultado das urnas]. Com relação à LER-qi, espero que tenha sido o calor do momento. De outro lado, nós da Veredas comemorando com nossos amigos e extravasando toda a tensão do processo eleitoral, dos ataques, calúnias, injúrias, ameaças de agressão física (militante do PSTU, mais uma vez, pessoalmente contra mim e também contra mais uma pessoa de nossa chapa), machismo.


Eu, assim como diversas pessoas da Veredas, fiquei dentro da sala, esperando a poeira baixar, por consciência de que qualquer provocação naquele momento poderia se transformar em alguma coisa E PORQUE TÍNHAMOS VISTO a articulação dos militantes do PSTU, então notamos que algo poderia acontecer. Aconteceu. Com uma gritaria muito forte lá fora, barulho de vidro quebrado, saí da sala e deparei com membros da atual gestão do CAELL, da Veredas e apoiadores de nossa chapa tentando segurar uma massa de mulheres enfurecidas que procuravam adentrar o prédio. Olhei para dentro e vi algumas pessoas (contando, lembro de seis), dentre membros da Chapa do Fusca e apoiadores/amigos nossos. Fui tentar ajudar a segurar as mulheres, nesse momento fui agredido por diversas militantes do PSTU (desde o mais alto escalão da Juventude), por uma senhorinha hispânica (trabalhadora da Zanon que estava junto com a LER-qi, só deus sabe o que ela fazia na Letras), e também por militantes da LER-qi. Nesse momento já nos chamavam de também "machistas". Com a tensão crescendo, um amigo me carregou para dentro do prédio. O corredor que leva ao CAELL estava com a luz apagada, elas já vinham atrás de nós. Fui levado para o Espaço dos Estudantes (foi a decisão mais acertada, a do meu amigo). Lá estavam já algumas pessoas. Mais um membro da Veredas e um amigo apareceram, fechamos o portão de correr com as mãos. Nós dentro, elas fora.


Já lá embaixo, com elas enfurecidas na escada, foi afirmado diversas vezes pela líder das militantes do PSTU: "Estamos numa ação organizada, não vamos bater em ninguém. Entreguem seus celulares para a gente se certificar de que todos os vídeos foram apagados, então vamos montar um corredor e vocês vão sair. Queremos todos os celulares, de todos vocês". Tentamos argumentar diversas vezes, e ouvíamos como resposta: "não há diálogo com VOCÊS, não tem diálogo com MACHISTAS, entreguem seus celulares senão nós vamos entrar aí" [aqui a ameaça de agressão física já deixou de ser direcionada a quem havia chamado uma de gostosa ou feito algum comentário machista a outra. Todos nós estávamos em risco]. Uma militante da LER-qi, da Letras, gritou: "Então a Veredas vai proteger os machistas? Quem protege um machista é machista também, e a única coisa que um machista merece é apanhar pra aprender". Eu afirmei que 90% da Veredas estava fora dali e que nós não apoiávamos o machismo, nem a violência. Sob diversos gritos de "machistas", questionei as militantes da LER-qi e do PSTU: "Eu sou machista? Quem de vocês eu agredi? Há quanto tempo vocês me conhecem? Alguma vez agredi alguma mulher dentro desta faculdade?". Sem chance, o que ouvi em retorno foi: “Não há diálogo com machistas”, “se você não é machista, entregue os machistas para nós”, “cala a boca, machista”, dentre outros absurdos. Enquanto tínhamos nossa privacidade invadida através das buscas nos celulares, ao afirmar que não tínhamos gravações feitas e que aquilo era absurdo, fomos surpreendidos pela fala de uma militante “feminista”: "Tem vídeo sim, tem foto sim... Cadê o celular daquele viadinho [sic] do CDIE?". Triste e bizarra defesa “contra a opressão”. Em certo momento uma militante do PSTU, totalmente descontrolada, soltou o comentário que define a deprimente manifestação pseudo-feminista e o risco que sofríamos: "vocês vão apanhar e vão apanhar de um monte de mulheres gostosas.[sic]". Além disso, um estudante do primeiro ano de Letras foi ameaçado, também, sob desconfiança de ter filmado a ação: "Se algum vídeo disso aqui aparecer no youtube já saberemos quem procurar, melhor você apagar isso se não quiser apanhar".


A coisa se resolveu pouco depois da chegada da Guarda Universitária, que foi chamada pelos seguranças da Letras. Após ficar aproximadamente uma hora presos no Espaço dos Estudantes, vimos que a única solução seria mesmo correr o risco de apanhar e sair no meio delas, senão a Guarda poderia tentar intervir para que pudéssemos sair, o que resultaria, na prática, em uma crise muito grande, com prisões, sindicâncias ou processos administrativos (vocês devem imaginar). Claro, estávamos com muito medo, afinal, a USP é terra de ninguém e os estudantes estão acima de qualquer coisa, eles dizem. Não sabíamos o que esperar daquilo, fomos agredidos, ultrajados estávamos assustados e impressionados com a capacidade de construir ações impensadas sobre causas vazias que o PSTU tem. Ao sair dali debaixo, naquele corredor polonês, sob gritos e injúrias vindas de homens e mulheres do PSTU e da LER-qi, fomos insultados e agredidos fisicamente por elas. Subimos as escadas e parei por ali mesmo, não estava em condições de seguir o grupo.


Dessa noite tenho uma pequena luxação na base do indicador da mão esquerda, de segurar o portão do CAELL fechado, para garantir nossa integridade (o portão terá que ser consertado e foi feita ocorrência de depredação pelos seguranças da Letras, contra nossa vontade). Até onde sei não foram feitos Boletins de Ocorrência sobre o ocorrido. Estamos, enquanto gestão e enquanto chapa eleita, organizando atividades acerca da questão do machismo, da violência, vamos tentar aproveitar isso para trazer uma discussão sobre o que é, de fato, a defesa dos direitos da mulher. Vamos procurar, também, esclarecer ao conjunto dos estudantes que não, não defendemos o machismo, repudiamos qualquer ação machista, da mesma maneira que repudiamos a violência, ainda que na defesa contra a opressão. Não será com a violência que combateremos a opressão da mulher, do homossexual, do negro. Não é possível aceitar a criação de fatos políticos orquestrados claramente para estragar a comemoração da chapa vencedora para a Letras, uma ação forjada para colar-nos uma imagem de “machistas”. Não podemos nos calar perante o oportunismo e a violência. Não aceitaremos esse ultraje.


As opiniões que apresento aqui não são exatamente as opiniões da gestão atual (Olhos Livres) ou da gestão eleita (Veredas).


Fiquei muito triste com estes acontecimentos. Espero sinceramente que tenha sido a única vez que eu presencie algo assim, na Universidade e fora dela.


Fernando Penteado.

 

Sobre a gripe suína, dizem no orkut:

"Se souberem de alguém com os sintomas da nova gripe, avisem que estão sendo realizados exames particulares nos hospitais abaixo. Não esperem pela rede pública, que está com o atendimento péssimo.

Os hospitais são:

Sabará ( Hospital Infantil)
Samaritano
Sirio-Libanes
Santa Catarina

São postos do Fleury dentro destes hospitais, que estão realizando o exame particular (R$ 115,00). O resultado sai em 48 horas. Quanto antes diagnósticado o vírus melhor, pois o tal remédio Tamiflu, indicado para a gripe só faz efeito nas primeiras 72 horas do início dos sintomas, depois não resolve."